terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A ILHA DO MAL

Todos nós, com o passar dos anos, conhecemos mais e mais indivíduos. Quando bebês, imaginamos que os pouquíssimos seres humanos com os quais temos contatos sejam uma amostra de toda a humanidade. Depois crescemos e descobrimos que mesmo crianças podem ser cruéis, muito cruéis. Só aprendemos quando temos condições de comparar. Não saberíamos o quanto a luz é importante se não houvesse a escuridão. Mesmo assim, adultos chegam à terceira idade sem aprender o quanto é importante ser positivo. A comparação com os defeitos de outras pessoas só serve para nos escurecer. Quem foca no lado bom da vida não tem tempo para falar dos outros ou criticá-los. Pois, para criticar o próximo, deveríamos ser isentos de erros.

Conheço pessoas que têm o poder de destruir a harmonia com duas ou três palavras. Estão sempre reclamando, sempre acentuando o lado imperfeito dos outros, inclusive dos próprios familiares. Não existe compaixão para elas. São os Imperadores de Roma decidindo quem merece viver ou quem terá a mão decepada. A língua dessas pessoas é um chicote que corta a carne de quem os ouve. Usada constantemente, não poupa nem crianças e idosos. Do alto do trono, ditam sentenças de ridículo, retardamento, ignorância, entre tantos outros adjetivos do mal. Acreditam-se superiores, incapazes de cometer erros. No fundo, são dignos de dó. Incapazes de lidar com a dor e indignação, necessitam exteriorizar a podridão que existe dentro delas, na busca de momentâneo alívio. Não sabem que palavras são como fermento – as boas aumentam o bem-estar; as más fermentam o sofrimento e a distância.

 Quando você for verbalizar uma crítica, conte até dez. Ou conte até um milhão se precisar. Pondere a utilidade de suas palavras. Se o único resultado for tristeza e decepção, não seja egoísta. Extravase a sua escuridão de uma forma positiva, usando essa energia para melhorar a si próprio primeiro. Porque, se você é capaz de usar palavras preconceituosas ou pejorativas, quem precisa melhorar é você. Seja corajoso. Reflita sobre o impacto que você tem nas pessoas ao seu redor. Troque as ironias por um bom-dia. Cale-se quando suas palavras malignas não tiverem utilidade alguma, a não ser machucar e criar uma atmosfera de tristeza e dor. Principalmente quando falar com seus filhos, com idosos ou subalternos. Crianças precisam de incentivo, amor e carinho para desenvolver força e retidão. Filhos que são constantemente criticados e diminuídos pelos próprios pais sofrem de baixa autoestima e julgam-se incapazes de ser dignos de respeito. Lembre-se que os pequenos cometem erros como todos nós. Precisam de orientação para aprender a não errar novamente. Xingamentos e ofensas servem apenas para criar animosidade, revolta e dor. Não seja egoísta. Guarde o fel e ofereça o mel. Os orientais acreditam que os exercícios têm o poder de transformar as pessoas. Rotina e disciplina. Se você domar seus instintos primitivos e cultivar o lado mais evoluído, sua companhia será muito mais agradável e as pessoas terão prazer em estar ao seu lado, em vez de sentirem-se torturadas por dilacerantes palavras. Para mudar, tudo o que precisamos é admitir que estamos errados. Se vivermos na ilusão de estarmos sempre certos, o “mundo errado” pode nos tornar pessoas intragáveis. O maior prejudicado em ser assim é você. Não apenas por afastar os que poderiam lhe oferecer amor, mas por se afundar cada vez mais nesse mar de dolorosas ondas.

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